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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
“A literatura ensina a viver”
Revista Epoca
Edição nº 489
“A literatura ensina a viver”
O escritor Lloyd Jones, em entrevista a Época, fala de seu livro O Sr. Pip, indicado para o Booker Prize, e sobre a função da literatura em um mundo em guerra
Luís Antônio Giron
Comente a matéria Leia os comentários Envie a um amigo Imprimir
O escritor neo-zelandês Lloyd Jones, de 52 anos ganhou fama intantânea com O Senhor Pip, livro indicado para o Booker Prize este ano, o principal prêmio literário da Comunidade Britânica. O Sr. Pip concorre com pesos-pesados, como Ian McEwan, com seu romance Na Praia. Lloyd Jones falou a ÉPOCA de Berlim, onde trabalha como escritor residente.
ÉPOCA - Qual o balanço entre realidade e fantasia em O Sr. Pip?
Lloyd Jones - Bogainville é uma ilha no sudoeste do Pacífico que faz parte de Papua Nova Guiné. Houve ao bloqueio da ilha ao longo de dez anos, com todo tipo de privações para a população. Mas a premissa do romance é ficcional: o último homem branco dá aulas para um monte de crianças só usando um material, um exemplar do romance Grandes Esperanças, de Charles Dickens. O Sr. Pip é uma fábula que nasce de um local e um evento reais.
ÉPOCA - Até que ponto seu trabalho como jornalista ajudou na criação da narrativa, em termos de assunto e estilo?
Jones - Bom, não existe nada como andar pela paisagem sobre a qual você vai criar uma história.Eu tentei mas falhei em chegar a Bugainville quando o bloqueio foi imposto pela primeira vez. Dez anos depois, quando o bloqueio foi suspenso, graças aos esforços de paz da nova Zelândia, visitei e conversei com muitas pessoas sobre a experiência do bloqueio. Mas eu quero enfatizar que O Sr. Pip é um romance. Não tentei contar a história da ilha durante o bloqueio. Outro vai contar essa história um dia. O conteúdo em geral determina o estilo de uma narrativa. No caso de O Sr. Pip, a narrativa escrita foi inspirada na tradição oral. Não se trata de establecer qual tem mai s autoridade. A tradição oferece um modo de contar uma história mais solto e talvez mais colorido. Isso me liberou dos contrangimentos das abordagens mais tradicionais.
ÉPOCA - A violência e o processo de descolonização retratados em O Sr. Pip ainda estão acontecendo na Oceania?
Jones - Existem tensões em Fiji, Ilhas Salomão e Nova Caledônia. Aumenta a insatisfação em Tonga, com a paorte do rei Tupou, que desencadeau protestos nas ruas, e infelizmente alguns distúrbios no centro da cidade. Mas, até agora, a terrível violência de O Sr. Pip se limitou à ilha de Bougainville.
ÉPOCA - Você considera seu trabalho como parte de uma literatura pós-colonial? Qual o status atual da literatura da Nova Zelândia?
Jones - Eu acho que sim, pelo menos no caso de Sr. Pip. Como a poplação da Nova Zelândia tem mudado através dos anos, ocorreram misturas culturais. A dominação da cultura do inglês pioneiro tem sofrido abalos. Agora a cultura inglesa é um das muitas vertentes, embora importante e poderosa. Ela se vê forçada a competir com a cultura maori, indígena, assim como as demais culturas do Pacífico Sul. Hoje é quase impossível falar de um literatura neo-zelandesa como um corpo homogêneo de trabalhos. Tudo o que posso fazer é apontar para sua abrangência e diversidade. É empolgante, mas também leva a algumas áreas de tensão, como a luta, em Sr. Pip, entre o Sr. Watts e a mãe de Matilda pela mente e alma de Matilda.
ÉPOCA - Como lhe ocorreu a diéia de usar Charles Dickens como símbolo de resistência e liberade?
Jones - Li Grandes Esperanças muito jovem, aos 9 ou 10 anos. Foi a primeira vez que entrei no mundo do livro adulto. Antes disse eu tina rido os contos de Oscar Wilde e Emil e os Detatives, de Eric Kastner. Mas Grandes Esperanças estava fora das prateleiras dos adultos. Li o livro com o espírito de aventura e com o entusiasmo típicos do menino. Fui capturado desde o momento qem que Magwich segura Pip no túmulo e o ameaça lhe arrancar o fígado caso ele não consiga voltar com dinheiro. E quando Pip é convidado a ir par Lodnres e se tornar alguém (virar um “cavalheiro”) eu fiquei a seu lado. Assim, quando o Sr. Watts tratou de criar uma forma de fuga para as crianças, transportando-as a um outro mundo imaginário, inevitalmente teria de ser Grandes Esperanças. Para mim, como escritor, foi o recurso natural para Watts ensinar.
ÉPOCA - Por que Sr. Watts, reinventou o enredo de Dickens?
Jones - Ele reescreveu Grandes Esperanças duas vezes: a primeira, na versão abreviado para ler em classe. Por quê? Ele talvez quisesse evitar áreas de difícil entendimento e, por isso, eliminou algumas passagens. Na segunda vez, ele é questionado pelos rebeldes e se apresenta como Pip, usando o modelo do personagem de Dickens para descrever a si próprio. Para mim, a segunda versão é mais interessante. Ele se casou com uma nativa da ilha e foi viver lá. Rompeu com sua tribo intencionalmente. Ele buscou uma outra vida e quebrou o molde em que foi criado, exatamente como fez Pip, que escapou do aprendizado de joalheiro para ir para Londres e refazer lá a vida. Não é surpresa Wattw se identificar com Pip. Pip é um órfão. Watts é imigrante. Entre os dois há semelhanças.
ÉPOCA - Como você analisa o Sr. Pip? É um amigo imaginário, símbolo do confronto entre as culturas local e européia?
Jones - Possivelmente, ele é. Um amigo imaginário na vida real é mais trágico que um pacote imaginativo. Eu gosto da idéia de tratar Pip como um ponto de contato entre o mundo imaginário e real - como você o descreveu. Mas para Matilda, a razão é mais direta. Ela encontrou um novo amigo, uma alma parecida, e o busca onde pode encontrá-lo. Não em cima de uma árvore, mas em todos os lugares dentro do livro.
ÉPOCA - Você tem uma definição para você como escritor?
Jones - Não há duas maneiras de descrever um autor. Pode me definir assim: um escritor em oposição a um dentista ou a um cirurgião ou um pedreiro - mesmo que escrever tenha alguns pontos em comum com construir. Palavra a palavra, o edifício vai sendo construído.
ÉPOCA - Como está a literatura neo-zelandesa?
Jones - Está desabrochando. Nunca houve na Nova Zelândia tantos escritores de diversas origens e formações como agora. Também se publicam muitas revistas de pequena circulação, nas quais é possível você mostrar seu trabalho . É uma situação muito saudável.
ÉPOCA - E como anda seu bonito país?
Jones - Chegou a primavera. O país está esperando vencer o campeonato de rugby na Copa da França. Rugby é para os neo-zelandeses o que o futebol é para os brasieliros. Você vai entender o que se passa entre nós, uma curiosa mistura de ansiedade e desejo.
ÉPOCA - A personagem Matilda se apóia na literatura, para ganhar forças diante de uma realidade cruel. Não seria uma atitude escapista? Qual a função da ficção em um mundo conturbado?
Jones - Eu não acho que ler e escrever sejam ações escapistas, de forma alguma. Eu diria o inverso. A literatura nos força a nos confrontar com nós mesmos, como seres humanos. Mais do que isso, acredito que um dos valores mais importantes para o sucesso é a empatia. Sem empatia a gente vai se afastasr de um homem que está morrendo e ignorar os horrores de Ruanda e Darfur. A empatia furça a gente a pensar fora de nós mesmos. E onde a gente aprende pela primeira vez esse truque de abandonar nossa alma para entrar em uma outra? Na literatura. Literatura ensina a viver. Tanto Watts como Matilda ficariam felizes com a síntese que acabei de fazer. Mesmo assim, literatura é muito mais. é uma busca para irmos além de nós mesmos, para entender mais sobre esse mundo por onde a gente passa de forma tão breve. No fim do dia, a liiteratura é uma obra, um objeto para agarrar e admirar, ou ser crítico, como se faz com qualquer obra de arte.
ÉPOCA - Quais são seus projetos literários?
Jones - Graças ao programa de residência para escritores Creative New Zealand, estou morando em Berlim e continuarei por aqui a maior parte do ano que vem. O programa só requer que eu escreva, o que estou fazendo. Espero escrever um bom número de ensaios, ao mesmo tempo em que preparo um projeto ficional maior e mais ambicioso. Não vou falar mais, com medo de estragar a surpresa!
Edição nº 489
“A literatura ensina a viver”
O escritor Lloyd Jones, em entrevista a Época, fala de seu livro O Sr. Pip, indicado para o Booker Prize, e sobre a função da literatura em um mundo em guerra
Luís Antônio Giron
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O escritor neo-zelandês Lloyd Jones, de 52 anos ganhou fama intantânea com O Senhor Pip, livro indicado para o Booker Prize este ano, o principal prêmio literário da Comunidade Britânica. O Sr. Pip concorre com pesos-pesados, como Ian McEwan, com seu romance Na Praia. Lloyd Jones falou a ÉPOCA de Berlim, onde trabalha como escritor residente.
ÉPOCA - Qual o balanço entre realidade e fantasia em O Sr. Pip?
Lloyd Jones - Bogainville é uma ilha no sudoeste do Pacífico que faz parte de Papua Nova Guiné. Houve ao bloqueio da ilha ao longo de dez anos, com todo tipo de privações para a população. Mas a premissa do romance é ficcional: o último homem branco dá aulas para um monte de crianças só usando um material, um exemplar do romance Grandes Esperanças, de Charles Dickens. O Sr. Pip é uma fábula que nasce de um local e um evento reais.
ÉPOCA - Até que ponto seu trabalho como jornalista ajudou na criação da narrativa, em termos de assunto e estilo?
Jones - Bom, não existe nada como andar pela paisagem sobre a qual você vai criar uma história.Eu tentei mas falhei em chegar a Bugainville quando o bloqueio foi imposto pela primeira vez. Dez anos depois, quando o bloqueio foi suspenso, graças aos esforços de paz da nova Zelândia, visitei e conversei com muitas pessoas sobre a experiência do bloqueio. Mas eu quero enfatizar que O Sr. Pip é um romance. Não tentei contar a história da ilha durante o bloqueio. Outro vai contar essa história um dia. O conteúdo em geral determina o estilo de uma narrativa. No caso de O Sr. Pip, a narrativa escrita foi inspirada na tradição oral. Não se trata de establecer qual tem mai s autoridade. A tradição oferece um modo de contar uma história mais solto e talvez mais colorido. Isso me liberou dos contrangimentos das abordagens mais tradicionais.
ÉPOCA - A violência e o processo de descolonização retratados em O Sr. Pip ainda estão acontecendo na Oceania?
Jones - Existem tensões em Fiji, Ilhas Salomão e Nova Caledônia. Aumenta a insatisfação em Tonga, com a paorte do rei Tupou, que desencadeau protestos nas ruas, e infelizmente alguns distúrbios no centro da cidade. Mas, até agora, a terrível violência de O Sr. Pip se limitou à ilha de Bougainville.
ÉPOCA - Você considera seu trabalho como parte de uma literatura pós-colonial? Qual o status atual da literatura da Nova Zelândia?
Jones - Eu acho que sim, pelo menos no caso de Sr. Pip. Como a poplação da Nova Zelândia tem mudado através dos anos, ocorreram misturas culturais. A dominação da cultura do inglês pioneiro tem sofrido abalos. Agora a cultura inglesa é um das muitas vertentes, embora importante e poderosa. Ela se vê forçada a competir com a cultura maori, indígena, assim como as demais culturas do Pacífico Sul. Hoje é quase impossível falar de um literatura neo-zelandesa como um corpo homogêneo de trabalhos. Tudo o que posso fazer é apontar para sua abrangência e diversidade. É empolgante, mas também leva a algumas áreas de tensão, como a luta, em Sr. Pip, entre o Sr. Watts e a mãe de Matilda pela mente e alma de Matilda.
ÉPOCA - Como lhe ocorreu a diéia de usar Charles Dickens como símbolo de resistência e liberade?
Jones - Li Grandes Esperanças muito jovem, aos 9 ou 10 anos. Foi a primeira vez que entrei no mundo do livro adulto. Antes disse eu tina rido os contos de Oscar Wilde e Emil e os Detatives, de Eric Kastner. Mas Grandes Esperanças estava fora das prateleiras dos adultos. Li o livro com o espírito de aventura e com o entusiasmo típicos do menino. Fui capturado desde o momento qem que Magwich segura Pip no túmulo e o ameaça lhe arrancar o fígado caso ele não consiga voltar com dinheiro. E quando Pip é convidado a ir par Lodnres e se tornar alguém (virar um “cavalheiro”) eu fiquei a seu lado. Assim, quando o Sr. Watts tratou de criar uma forma de fuga para as crianças, transportando-as a um outro mundo imaginário, inevitalmente teria de ser Grandes Esperanças. Para mim, como escritor, foi o recurso natural para Watts ensinar.
ÉPOCA - Por que Sr. Watts, reinventou o enredo de Dickens?
Jones - Ele reescreveu Grandes Esperanças duas vezes: a primeira, na versão abreviado para ler em classe. Por quê? Ele talvez quisesse evitar áreas de difícil entendimento e, por isso, eliminou algumas passagens. Na segunda vez, ele é questionado pelos rebeldes e se apresenta como Pip, usando o modelo do personagem de Dickens para descrever a si próprio. Para mim, a segunda versão é mais interessante. Ele se casou com uma nativa da ilha e foi viver lá. Rompeu com sua tribo intencionalmente. Ele buscou uma outra vida e quebrou o molde em que foi criado, exatamente como fez Pip, que escapou do aprendizado de joalheiro para ir para Londres e refazer lá a vida. Não é surpresa Wattw se identificar com Pip. Pip é um órfão. Watts é imigrante. Entre os dois há semelhanças.
ÉPOCA - Como você analisa o Sr. Pip? É um amigo imaginário, símbolo do confronto entre as culturas local e européia?
Jones - Possivelmente, ele é. Um amigo imaginário na vida real é mais trágico que um pacote imaginativo. Eu gosto da idéia de tratar Pip como um ponto de contato entre o mundo imaginário e real - como você o descreveu. Mas para Matilda, a razão é mais direta. Ela encontrou um novo amigo, uma alma parecida, e o busca onde pode encontrá-lo. Não em cima de uma árvore, mas em todos os lugares dentro do livro.
ÉPOCA - Você tem uma definição para você como escritor?
Jones - Não há duas maneiras de descrever um autor. Pode me definir assim: um escritor em oposição a um dentista ou a um cirurgião ou um pedreiro - mesmo que escrever tenha alguns pontos em comum com construir. Palavra a palavra, o edifício vai sendo construído.
ÉPOCA - Como está a literatura neo-zelandesa?
Jones - Está desabrochando. Nunca houve na Nova Zelândia tantos escritores de diversas origens e formações como agora. Também se publicam muitas revistas de pequena circulação, nas quais é possível você mostrar seu trabalho . É uma situação muito saudável.
ÉPOCA - E como anda seu bonito país?
Jones - Chegou a primavera. O país está esperando vencer o campeonato de rugby na Copa da França. Rugby é para os neo-zelandeses o que o futebol é para os brasieliros. Você vai entender o que se passa entre nós, uma curiosa mistura de ansiedade e desejo.
ÉPOCA - A personagem Matilda se apóia na literatura, para ganhar forças diante de uma realidade cruel. Não seria uma atitude escapista? Qual a função da ficção em um mundo conturbado?
Jones - Eu não acho que ler e escrever sejam ações escapistas, de forma alguma. Eu diria o inverso. A literatura nos força a nos confrontar com nós mesmos, como seres humanos. Mais do que isso, acredito que um dos valores mais importantes para o sucesso é a empatia. Sem empatia a gente vai se afastasr de um homem que está morrendo e ignorar os horrores de Ruanda e Darfur. A empatia furça a gente a pensar fora de nós mesmos. E onde a gente aprende pela primeira vez esse truque de abandonar nossa alma para entrar em uma outra? Na literatura. Literatura ensina a viver. Tanto Watts como Matilda ficariam felizes com a síntese que acabei de fazer. Mesmo assim, literatura é muito mais. é uma busca para irmos além de nós mesmos, para entender mais sobre esse mundo por onde a gente passa de forma tão breve. No fim do dia, a liiteratura é uma obra, um objeto para agarrar e admirar, ou ser crítico, como se faz com qualquer obra de arte.
ÉPOCA - Quais são seus projetos literários?
Jones - Graças ao programa de residência para escritores Creative New Zealand, estou morando em Berlim e continuarei por aqui a maior parte do ano que vem. O programa só requer que eu escreva, o que estou fazendo. Espero escrever um bom número de ensaios, ao mesmo tempo em que preparo um projeto ficional maior e mais ambicioso. Não vou falar mais, com medo de estragar a surpresa!
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